
Alí, quase como uma imagem de um livro, o frio cortando-lhe os ossos, embriagada dos pensamentos vastos que lhe sondavam a mente e o coração.
Os braços lhe passavam em volta das pernas se encolhendo não pelo frio, mas pela incerteza do que encontraria naquele novo lugar.
Primavera chegaria apenas daqui alguns meses, e as folhas ainda caiam em cima do telhado que observava. O inverno tinha apenas começado. Uma xícara de café seria servida em breve aquecida no fogão a lenha no andar inferior da casa.
Não sabia o que iria viver amanhã. Os amigos que deixara para trás não lhe acompanhariam em qualquer lugar que fosse, tão longe estavam.
Lembrava-se das rodas de amigos, com mesas lotadas de histórias e bebidas que apagavam as velhas incertezas. Abraços, risos eufóricos, sentia tanta falta daqueles dias, das músicas vanguardistas revividas e ouvidas por jovens que nem passaram por aquela época.
Saudades daquelas cenas de fins de semana.
O sol se recolhera cedo, o céu carregado de nuvens escuras anunciando a chuva que se aproximava, lhe fez acordar dos pensamentos quando pingos lhe molharam a face, saudade, doce e amarga saudade.
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