Eram quase 23 hrs de uma quinta-feira meio gélida de outono, dentro do ônibus com sua leitura preferida em mãos e com uma trilha sonora um pouco inusitada, o assobio do cobrador.
Não era dificil perceber a diferença daquela moça que vestia jeans e jaquetas com um jeito meio intelectual despojado despreocupada com a aparência e nitidamente envolvida no seu mundo particular.
Alice já estava acostumada com aquela rotina de vai e vem de ônibus e gente, sempre tão corrido sempre tão monótono, que resolvera se privar na sua estante particular de livros, ou poderia se dizer bibilioteca ambulante.
Alguma parte daquele livro fascinava Alice que se comparava as figuras femininas nostálgicas e muitas vezes confusas em idéias tão mesquinhas, que se perguntava com qual delas parecia mais.
Haviam duas personagens facinantes, uma delas vivera sua vida com alguém e sufocava a vontade de traição, lia livros, gostava de boêmia e boas literaturas, costumava observar rapazes que bebiam conhaque. A outra, linda, ousada, uma artista, tão volúpia e ao mesmo tempo tão amada e com tanto amor, não se prendia a ninguém mas fazia todos se prenderem a ela.
Talvez ela, também uma artista se assim pudesse ser considerada a arte de fotografar, leitora de boa literatura, linda, admiradora de rapazes que bebem conhaque, e fazendo todos se prenderem a ela, é talvez ela fosse mesmo um pouco das duas.
Logo havia trocado de ônibus e sentou-se em um daqueles banquinhos que ficam de lado, como metrô, no biarticulado vermelho e rápido, que anunciava cada próxima parada com uma voz tão irritante que lhe bagunçava os pensamentos.
Correndo os olhos sobre as frases do livro, não conseguia conter a vontade de pedir a todos que silenciassem, e que as gralhas femininas nada delicadas sentadas a sua frente absorvesse um pouco de cultura para depois poder falar sobre literatura.
A irritava o fato de chamarem livros técnicos, de literatura, e literatura de livros de texto comum, que insulto!
Logo tropeçaram no seu pé e quase derrubou o capuccino quentinho de canela que estava em uma de suas mãos.
Alice nessa hora fechou os olhos e concentrou-se na sua simples missão, ler o seu livro até encontrar com seu rapaz. No momento em que lembrou dele sentiu um frio passar pelo estômago, aquele frio que testa nosso coração, aquele que nos faz lembrar do porque estamos fazendo aquilo, o frio que dá arrepio nas costas, nem parecia que só faziam alguns meses que haviam se encontrado.
Alice quase não acreditava mais em contos amorosos depois de conhecer e de ter tantos amantes que apenas iam e vinham, mas aquele era diferente, era como ela, quase sua versão masculina.
Era facil perceber que as coisas estavam apenas começando, mas era gostoso viajar em literaturas erótico-amorosas e imaginar o seu rapaz não muito alto, com pele clara, olhos verdes e barba com tom loiro escuro, era fascinada por ele, e pensar nele fazia sua mente ir longe e esquecer em volta.
Era chato ser olhada como uma raridade na rua, como se fosse uma estranha carregando um objeto de outro mundo e vestida com roupas esquisitas, mas na verdade, para natureza de Alice, as pessoas que eram incomuns, era chato, mas ela no fundo gostava de ser diferente dos demais.
A neblina tomava conta dos prédios da cidade e o frio se acentuava fazendo-a se arrepender de não ter colocado um casaco a mais. Guardou o livro, segurou o copo entre as pernas fechou os olhos e apertou as mãos com firmeza causando atrito entre uma e outra para tentar aquecer, desceu do ônibus e contemplou a cidade com pontos fracos de luz, lembrou-se dos amigos de longe, e do amigo de perto que havia lhe entregado aquele livro.
Gostou de lembrar daquilo, tomou o ultimo gole de café apressando o passo para entrar naquele mundo que mais detestava, quase um respirar fundo se não fosse o vento gelado que cortava-lhe o rosto, tomou em pulso a sua bolsa e entrou na loja de departamentos.
...
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17 junho 2011
17 fevereiro 2011
Teto branco
Ontem enquanto relaxava no meu quarto, deitada no piso de madeira , ouvindo Apanhador Só, e sentindo o maravilhoso vento que secava meu suor depois de uma deliciosa corrida, eu olhava para o teto.
E aquela imensidão infinita e branca que eu observava por um angulo reto, me fez esvaziar a mente e abrir para pensamentos incríveis.
Um filme, passava por minha cabeça, como se diante dos olhos cada momento e cada pessoa se repetisse, cada conversa, risos, e aquela música virava trilha sonora.
Me peguei rindo muito, sozinha, rindo gargalhadas cheias que me faziam tremer a barriga e eu silênciava ao mesmo tempo para não acordar quem dormia na porta da frente do meu quarto.
De todos esses anos passados, nos últimos 4 especificamente, eu não tinha uma noite sozinha tão gostosa, tão cheia de encanto e simplicidade.
O teu cheiro que volta e meia invadia o quarto, me fazia jorrar aquela sensação de entorpecimento, não era possivel ficar com a mente vazia, não naquela hora, após um turbilhão de pensamentos e lembranças invadirem e passarem, você preencheu por completo. Cada minuto, você, você, e quem diz que eu não quero me embriagar de você? Ter medo de me embebedar dessa viciosa relação, desse vício bom, e você ainda brinca com o trecho daquela musica " nosso amor é como vinho virando vinagre davagarinho" mas não é verdade amor, nosso amor será sempre o melhor vinho.
Eu vejo pessoas discordando dos nossos atos, desentendendo e desacreditando desse belo sentimento, e o que nos importa se do nosso amor a gente é que sabe?
Eu vaguei com pensamentos, eu ri, eu chorei de alegria, eu cochilei.
Acordei alí, deitada ainda no chão, com o mp4 já silenciado pelo término da bateria, com meus três gatos encostados em mim, e com o telefone tocando e me chamando para a realidade, como todas as noites, você me ligando, me chamando.
Depois de conversar como todos os dias e ainda assim tão diferente, porque é incrivel como todos os dias temos assuntos diferentes, nos despedimos com doces palavras , anciosos para que o dia chegasse e passasse para nos encontrarmos de novo. Terminei a ligação lembrando da cena da nossa foto no grande olho, nas linhas retas do banco e do teto de onde estavamos, na paz , no momento eternizado, nossa primeira foto. Dormi.
E aquela imensidão infinita e branca que eu observava por um angulo reto, me fez esvaziar a mente e abrir para pensamentos incríveis.
Um filme, passava por minha cabeça, como se diante dos olhos cada momento e cada pessoa se repetisse, cada conversa, risos, e aquela música virava trilha sonora.
Me peguei rindo muito, sozinha, rindo gargalhadas cheias que me faziam tremer a barriga e eu silênciava ao mesmo tempo para não acordar quem dormia na porta da frente do meu quarto.
De todos esses anos passados, nos últimos 4 especificamente, eu não tinha uma noite sozinha tão gostosa, tão cheia de encanto e simplicidade.
O teu cheiro que volta e meia invadia o quarto, me fazia jorrar aquela sensação de entorpecimento, não era possivel ficar com a mente vazia, não naquela hora, após um turbilhão de pensamentos e lembranças invadirem e passarem, você preencheu por completo. Cada minuto, você, você, e quem diz que eu não quero me embriagar de você? Ter medo de me embebedar dessa viciosa relação, desse vício bom, e você ainda brinca com o trecho daquela musica " nosso amor é como vinho virando vinagre davagarinho" mas não é verdade amor, nosso amor será sempre o melhor vinho.
Eu vejo pessoas discordando dos nossos atos, desentendendo e desacreditando desse belo sentimento, e o que nos importa se do nosso amor a gente é que sabe?
Eu vaguei com pensamentos, eu ri, eu chorei de alegria, eu cochilei.
Acordei alí, deitada ainda no chão, com o mp4 já silenciado pelo término da bateria, com meus três gatos encostados em mim, e com o telefone tocando e me chamando para a realidade, como todas as noites, você me ligando, me chamando.
Depois de conversar como todos os dias e ainda assim tão diferente, porque é incrivel como todos os dias temos assuntos diferentes, nos despedimos com doces palavras , anciosos para que o dia chegasse e passasse para nos encontrarmos de novo. Terminei a ligação lembrando da cena da nossa foto no grande olho, nas linhas retas do banco e do teto de onde estavamos, na paz , no momento eternizado, nossa primeira foto. Dormi.
24 janeiro 2011
Eram um, eram Dois
Já passavam as 22 hrs, sentada alí, na praça rodeada de restaurantes com um som abafado em volta, esperando ele.As horas passavam tão lentas, a ansiedade e a espera em vê-lo logo, mais uma vez.
Passado 45 minutos de espera aquela lentidão toda apressou-se e ele veio com aquele sorriso lindo e suas bermudas largas, de braços estendidos a protege-la num apertar de ombros que lhe arrebatava a alma.
Eram dois, e um, andando sorrindo de mãos dadas, caminho do charmoso pub irlandes da cidade que sempre fria, havia dado uma pausa e proporcionado uma noite de céu limpo e quente.
Sentados alí, no balcão do bar, era fácil perceber a incrivel energia que os cercava. Volta e meia olhavam para o nada, como se talvez tentassem entender aquilo tudo, aquele transbordar de sentimentos inexplicáveis. Os dois pares de olhos verdes se olhavam fixamente quase que todo o instante, sem palavras, sem argumentos, sem elogios, não era nada necessário.
A banda tocava em alto som, varios rostos se misturavam, mas nenhum deles com tanta certeza de tudo, e com tanta incerteza do nada.
Era dificil acreditar que aquilo estava acontecendo. Após algumas canecas de chopp a alegria que geralmente o alcool proporcionava, era abafada, coberta por uma alegria ainda maior, a alegria de não se sentir só. Nunca mais. Em um coro único, nunca mais só.
As horas passaram tão rapido que nem perceberam que o dia se aproximava, a banda que já havia silenciado, e os garçons que encerravam contas, o pub ficando vazio, e braços e abraços pareciam pouco, aquela noite não podia acabar. Encerrado os pedidos, as mãos entrelaçadas, as certezas a flor da pele, juntos novamente, em meio as ruas , um trago de cigarro, um beijo demorado , dois, mais uma vez, até a proxima vez.
Passado 45 minutos de espera aquela lentidão toda apressou-se e ele veio com aquele sorriso lindo e suas bermudas largas, de braços estendidos a protege-la num apertar de ombros que lhe arrebatava a alma.
Eram dois, e um, andando sorrindo de mãos dadas, caminho do charmoso pub irlandes da cidade que sempre fria, havia dado uma pausa e proporcionado uma noite de céu limpo e quente.
A banda tocava em alto som, varios rostos se misturavam, mas nenhum deles com tanta certeza de tudo, e com tanta incerteza do nada.
Era dificil acreditar que aquilo estava acontecendo. Após algumas canecas de chopp a alegria que geralmente o alcool proporcionava, era abafada, coberta por uma alegria ainda maior, a alegria de não se sentir só. Nunca mais. Em um coro único, nunca mais só.
As horas passaram tão rapido que nem perceberam que o dia se aproximava, a banda que já havia silenciado, e os garçons que encerravam contas, o pub ficando vazio, e braços e abraços pareciam pouco, aquela noite não podia acabar. Encerrado os pedidos, as mãos entrelaçadas, as certezas a flor da pele, juntos novamente, em meio as ruas , um trago de cigarro, um beijo demorado , dois, mais uma vez, até a proxima vez.
31 dezembro 2010
Dois
Muito bem, vamos virar a página.
É eu sei que nem tudo foi em vão, que os projetos não foram jogados fora, mas tinha que ser tão dificil a vida a dois?
É eu sei que um monte de coisa nos aborrece, que a bagunça espalhada pela casa te deixa meio fora de si, mas meu bem, joga as coisas dentro do armário e senta aqui pra conversar.
Não tem mistério amar.
Não tinha por que você levar a vida tão a sério, não meu bem, eu não quero você dependente de mim, onde você se perdeu no caminho? Volta lá.
Olho as contas para pagar, a luminária pendente sobre a mesa, e você sempre pra baixo sem por que, pra quê?
- Pago as contas, faço as compras, compro o pão de manhã!
- É assim amor, você cuida de mim enquanto durmo. E quem leva a casa? Quem lava os lençóis? Pode não ser assim sempre mas eu tento.
A tv na sala entra nas discussões sempre, não meu bem, não pode ser assim, quem disse para você que isso é amor ?
Sou apenas alguém para te acompanhar, a felicidade não depende de alguém, ela vive sozinha também, mas a dois é melhor amor.
Quando foi que paramos de perceber o que era ser eu e o que era ser você?
Deito todo dia e peço para alguém me levar, me acompanhar, eu olho as fotos e vejo quem falta estar aqui, só queria entender, quando foi que você foi embora?
- É, mesmo depois de tudo que você fez, eu ainda estou aqui.
- Não meu bem, você já foi embora faz tempo.
Parece que foi ontem que você entrou por aquela porta, mas não vi quando você saiu.
Dobro as roupas, o almoço tá na mesa, vai demorar para você chegar?
Você não faz mal para mim, mas eu me sinto mal com o que você diz. É dificil ser gentil as vezes? Falar mais?
Os anéis e as formalidades são apenas detalhes você não vê? Então por que estamos sempre falando sobre isso?
Não leve a vida a sério amor, é melhor ter paz.
Não sai, não chega tarde, não vai embora, vai embora, é dificil entender esses desencontros e desencantos, eu quero paz amor.
Não vá embora, mas não deixe essa dor voltar.
É eu sei que nem tudo foi em vão, que os projetos não foram jogados fora, mas tinha que ser tão dificil a vida a dois?
É eu sei que um monte de coisa nos aborrece, que a bagunça espalhada pela casa te deixa meio fora de si, mas meu bem, joga as coisas dentro do armário e senta aqui pra conversar.
Não tem mistério amar.
Não tinha por que você levar a vida tão a sério, não meu bem, eu não quero você dependente de mim, onde você se perdeu no caminho? Volta lá.
Olho as contas para pagar, a luminária pendente sobre a mesa, e você sempre pra baixo sem por que, pra quê?
- Pago as contas, faço as compras, compro o pão de manhã!
- É assim amor, você cuida de mim enquanto durmo. E quem leva a casa? Quem lava os lençóis? Pode não ser assim sempre mas eu tento.
A tv na sala entra nas discussões sempre, não meu bem, não pode ser assim, quem disse para você que isso é amor ?
Sou apenas alguém para te acompanhar, a felicidade não depende de alguém, ela vive sozinha também, mas a dois é melhor amor.
Quando foi que paramos de perceber o que era ser eu e o que era ser você?
Deito todo dia e peço para alguém me levar, me acompanhar, eu olho as fotos e vejo quem falta estar aqui, só queria entender, quando foi que você foi embora?
- É, mesmo depois de tudo que você fez, eu ainda estou aqui.
- Não meu bem, você já foi embora faz tempo.
Parece que foi ontem que você entrou por aquela porta, mas não vi quando você saiu.
Dobro as roupas, o almoço tá na mesa, vai demorar para você chegar?
Você não faz mal para mim, mas eu me sinto mal com o que você diz. É dificil ser gentil as vezes? Falar mais?
Os anéis e as formalidades são apenas detalhes você não vê? Então por que estamos sempre falando sobre isso?
Não leve a vida a sério amor, é melhor ter paz.
Não sai, não chega tarde, não vai embora, vai embora, é dificil entender esses desencontros e desencantos, eu quero paz amor.
24 novembro 2010
Déjà vu
Andando pelas ruas de chão de pedra, tropecei algumas vezes enquanto me distraia
com a neve caindo sobre o rosto.
Já distraída com a música mais uma vez, via os ônibus passarem e os táxis
misturados em meio a filas imensas de carros.
Paris, como sempre quis.
Andando por alí e pensando nas decisões e nas inconstâncias dos dias que seguiam
frios e nebulosos. Não era depressivo, era bom.
Todos os dias saía do hotel , um prédio antigo com toldos vermelhos e cortinas
brancas destacando os ferros rusticos das sacadas de estilo europeu. O cheiro da neve e a
sensação de déjà vu todas as manhãs.
Sempre que andava na parte de trás do jardim conseguia ver escavações cuidadosas
e objetos centenários em meio a neve.
O cheiro da neve era bom, não era gelado, era doce, um misto de ar gelido e doce,
com notas terracota e capim fresco. O café servido no delicioso restaurante na cobertura,
com janelas silenciosas e uma vista incrível para a cidade,
conversas dispersas enquanto estava alí, concentrada no café,
nos pãezinhos servidos com um patê com um sabor queijo delicioso.
Andei pelas ruas ainda de manhã, passei por lugares incriveis e vi pintores na calçada
desenhando crianças que brincavam com pombos na praça, ouvi badalar de sinos,
e nem percebi o tempo passar. A noite chegava silenciosamente, quase imperceptivel,
só era possivel nota-la pela queda de temperatura gradativa que me deixava com
o nariz vermelho e gelado.
As luzes se fechavam misturadas as estrelas, eu com minhas botas vermelhas e minha câmera nas mãos, registrando cada momento.
Lembro perfeitamente do cheiro, da cor, do som, Paris é tão linda quanto dizem, talvez até mais linda do que nos filmes que a eternizaram como cidade luz.
Eu estava alí, sozinha, com meus pensamentos, meus projetos, estava comigo, apenas eu e eu.
A solidão não me incomodava, eu gostava de estar alí e falar apenas com meus pensamentos, perfeito,
teria sido perfeito se tudo não tivesse sido um sonho bem detalhado e gravado em minha mente,
em mim.
Talvez a paixão por Paris seja algo que não dê para se compartilhar com ninguém, apenas comigo.
Você acreditou que fui a Paris? Eu também, e foi incrível.
com a neve caindo sobre o rosto.
Já distraída com a música mais uma vez, via os ônibus passarem e os táxis
misturados em meio a filas imensas de carros.
Paris, como sempre quis.
Andando por alí e pensando nas decisões e nas inconstâncias dos dias que seguiam
frios e nebulosos. Não era depressivo, era bom.
Todos os dias saía do hotel , um prédio antigo com toldos vermelhos e cortinas
brancas destacando os ferros rusticos das sacadas de estilo europeu. O cheiro da neve e a
sensação de déjà vu todas as manhãs.
Sempre que andava na parte de trás do jardim conseguia ver escavações cuidadosas
e objetos centenários em meio a neve.
O cheiro da neve era bom, não era gelado, era doce, um misto de ar gelido e doce,
com notas terracota e capim fresco. O café servido no delicioso restaurante na cobertura,
com janelas silenciosas e uma vista incrível para a cidade,
conversas dispersas enquanto estava alí, concentrada no café,
nos pãezinhos servidos com um patê com um sabor queijo delicioso.
Andei pelas ruas ainda de manhã, passei por lugares incriveis e vi pintores na calçada
desenhando crianças que brincavam com pombos na praça, ouvi badalar de sinos,
e nem percebi o tempo passar. A noite chegava silenciosamente, quase imperceptivel,
só era possivel nota-la pela queda de temperatura gradativa que me deixava com
o nariz vermelho e gelado.
As luzes se fechavam misturadas as estrelas, eu com minhas botas vermelhas e minha câmera nas mãos, registrando cada momento.
Lembro perfeitamente do cheiro, da cor, do som, Paris é tão linda quanto dizem, talvez até mais linda do que nos filmes que a eternizaram como cidade luz.
Eu estava alí, sozinha, com meus pensamentos, meus projetos, estava comigo, apenas eu e eu.
A solidão não me incomodava, eu gostava de estar alí e falar apenas com meus pensamentos, perfeito,
teria sido perfeito se tudo não tivesse sido um sonho bem detalhado e gravado em minha mente,
em mim.
Talvez a paixão por Paris seja algo que não dê para se compartilhar com ninguém, apenas comigo.
Você acreditou que fui a Paris? Eu também, e foi incrível.
19 novembro 2010
AZUIS
Eu queria me lembrar de como é você,
talvez eu nunca mais saiba.
Eu olhei seus olhos tantas vezes, eu senti sua respiração sobre mim
eu falei para todos como você era.
Eu adormeci tantas vezes ao seu lado, acordei tantas noites vendo você olhar para mim
acho que posso imaginar como teria sido se ainda estivessemos aqui.
Todas as vezes que fechei as janelas para a luz não bater em seu rosto,
e todas as outras que pedi que a noite jamais acabasse.
Eu queria saber como teria sido, acho que sei, é, eu acho que ainda sei.
Ás vezes andando pelas ruas consigo sentir você me observar,
eu vejo você, eu sinto você, eu vivo você todos os dias.
Lembro de todas as vezes que nos ofendemos com palavras,
e tantas outras que desejei ter você longe de mim.
Hoje eu só queria você por mais um dia.
E se hoje eu te dissesse as palavras que ja te disse um dia?
Lembro de hoje, lembro do ontem, lembro de cada rua por onde passamos.
Eu contei para todos como era você, eu olhei dentro de você tantas vezes e nem consegui ver como você realmente era,
você gostava de café, você olhava para as nuvens ao amanhecer
Seu rosto se iluminava quando o sol nascia, tua luz me iluminava
eu gosto de lembrar, eu sinto você comigo
Então por que estamos longe? Por que ainda desejamos estar longe?
Você ainda sente minha falta?
Eu me deito todas as noites e fecho os olhos
posso lembrar de você, eu me lembro de você
Não sei escrever uma canção, não consigo nem te dizer novamente aquelas palavras.
Como seria se você ainda pertencesse a mim?
Pode ser cedo para dizer que não, ou tarde demais para desejar isso tudo mais uma vez
Eu gosto como a lagrima corre pelo meu rosto todas as noites
eu gosto das batidas no meu peito, gosto de ouvir sua voz
eu sinto você cada vez que elas caem,
é eu acho que você também se lembra
eu lembro
nos pertencemos
todas as cançoes dizem isso você não vê?
Quero ficar mais uma noite com você,
você sempre olhará pra mim , todas as noites
eu estarei com você em todas elas
eu já disse que sinto saudade?
Isso basta para você voltar?
Fique essa noite comigo, me encontre na estação, me abrace mais uma vez
eu quero ser seu sol quando amanhecer,
quero iluminar seu rosto.
Não você não pode fazer nada para mudar isso, eu sei,
eu sempre irei sonhar com o dia
em que seus olhos refletirão minha imagem mais uma vez.
Fique comigo mais uma noite
eu estarei aqui quando amanhecer.
Sinto uma lagrima descer em meu rosto enquanto eu olho para a janela
eu sinto você, você ainda é o mesmo, sempre foi.
E se você pudesse ler minhas palavras, se pudesse ouvi-las
eu pediria para você jamais ir,
Você sente minha falta?
Eu sei que pertenço a você.
Como farei nos próximos dias em que o sol amanhecer e eu não estiver com você?
Não há nada que você possa fazer por mim nessa noite.
Eu poderia ter sido melhor para você,
mas eu também não posso fazer nada até o amanhecer.
Escrevi essas palavras para você, então me retribua e fique comigo mais uma noite
eu estarei aqui quando amanhecer.
Eu sempre estive.
talvez eu nunca mais saiba.
Eu olhei seus olhos tantas vezes, eu senti sua respiração sobre mim
eu falei para todos como você era.
Eu adormeci tantas vezes ao seu lado, acordei tantas noites vendo você olhar para mim
acho que posso imaginar como teria sido se ainda estivessemos aqui.
Todas as vezes que fechei as janelas para a luz não bater em seu rosto,
e todas as outras que pedi que a noite jamais acabasse.
Eu queria saber como teria sido, acho que sei, é, eu acho que ainda sei.
Ás vezes andando pelas ruas consigo sentir você me observar,
eu vejo você, eu sinto você, eu vivo você todos os dias.
Lembro de todas as vezes que nos ofendemos com palavras,
e tantas outras que desejei ter você longe de mim.
Hoje eu só queria você por mais um dia.
E se hoje eu te dissesse as palavras que ja te disse um dia?
Lembro de hoje, lembro do ontem, lembro de cada rua por onde passamos.
Eu contei para todos como era você, eu olhei dentro de você tantas vezes e nem consegui ver como você realmente era,
você gostava de café, você olhava para as nuvens ao amanhecer
Seu rosto se iluminava quando o sol nascia, tua luz me iluminava
eu gosto de lembrar, eu sinto você comigo
Então por que estamos longe? Por que ainda desejamos estar longe?
Você ainda sente minha falta?
Eu me deito todas as noites e fecho os olhos
posso lembrar de você, eu me lembro de você
Não sei escrever uma canção, não consigo nem te dizer novamente aquelas palavras.
Como seria se você ainda pertencesse a mim?
Pode ser cedo para dizer que não, ou tarde demais para desejar isso tudo mais uma vez
Eu gosto como a lagrima corre pelo meu rosto todas as noites
eu gosto das batidas no meu peito, gosto de ouvir sua voz
eu sinto você cada vez que elas caem,
é eu acho que você também se lembra
eu lembro
nos pertencemos
todas as cançoes dizem isso você não vê?
Quero ficar mais uma noite com você,
você sempre olhará pra mim , todas as noites
eu estarei com você em todas elas
eu já disse que sinto saudade?
Isso basta para você voltar?
Fique essa noite comigo, me encontre na estação, me abrace mais uma vez
eu quero ser seu sol quando amanhecer,
quero iluminar seu rosto.
Não você não pode fazer nada para mudar isso, eu sei,
eu sempre irei sonhar com o dia
em que seus olhos refletirão minha imagem mais uma vez.
Fique comigo mais uma noite
eu estarei aqui quando amanhecer.
Sinto uma lagrima descer em meu rosto enquanto eu olho para a janela
eu sinto você, você ainda é o mesmo, sempre foi.
E se você pudesse ler minhas palavras, se pudesse ouvi-las
eu pediria para você jamais ir,
Você sente minha falta?
Eu sei que pertenço a você.
Como farei nos próximos dias em que o sol amanhecer e eu não estiver com você?
Não há nada que você possa fazer por mim nessa noite.
Eu poderia ter sido melhor para você,
mas eu também não posso fazer nada até o amanhecer.
Escrevi essas palavras para você, então me retribua e fique comigo mais uma noite
Eu sempre estive.
foto: Tomas /fotografado:Rodolfo Magalhães
fotos:Rodolfo Magalhães
26 abril 2010
Auto cotidiano
Sento na velha cadeira ou no sofá, tanto faz,
teclado nas mãos deixo os dedos correr por eles,
musica, um copo de chá, não, não consumo mais a mesma droga de sempre,
minha vida vai bem obrigado.
A mente flui e os pensamentos vão surgindo,
vejo anéis, branco, e a neblina lá fora.
Caminho todos os dias sobre as pedras irregulares da cidade gélida,
gosto do que vejo, gosto de sentir o gelo cortando o rosto em forma de vento.
Já nem sinto mais meu corpo flutuando em vagos pensamentos,
todo dia, todo dia,
falo, falo, não me canso.
A noite libero o cansaço e ergo os braços embalando ao som da musica, I Blame coco,
de vez enquando até chico vem visitar,
som do gato, pelos e sininhos dos guizos frequentes na sala minuscula da kitinet.
Edito fotos
Aquele embalo tocado com samba e a voz misturada a mesma que toca na antiga radiola,
eh eh ele nao é de nada....
Retrato escrito no espelho, nas letrinhas misturadas na tela branca. Gosto da sensação.
________________________________________________________________________
teclado nas mãos deixo os dedos correr por eles,
musica, um copo de chá, não, não consumo mais a mesma droga de sempre,
minha vida vai bem obrigado.
A mente flui e os pensamentos vão surgindo,
vejo anéis, branco, e a neblina lá fora.
Caminho todos os dias sobre as pedras irregulares da cidade gélida,
gosto do que vejo, gosto de sentir o gelo cortando o rosto em forma de vento.
Já nem sinto mais meu corpo flutuando em vagos pensamentos,
todo dia, todo dia,
falo, falo, não me canso.
A noite libero o cansaço e ergo os braços embalando ao som da musica, I Blame coco,
de vez enquando até chico vem visitar,
som do gato, pelos e sininhos dos guizos frequentes na sala minuscula da kitinet.
Edito fotos
Aquele embalo tocado com samba e a voz misturada a mesma que toca na antiga radiola,
eh eh ele nao é de nada....
Retrato escrito no espelho, nas letrinhas misturadas na tela branca. Gosto da sensação.
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04 março 2010
Cotidiano Mazoquista
Estranho imaginar tudo que havia passado , e eu mergulhada em vicios diários, no cotidiano cansativo e sem nenhuma novidade. Já não sei mais se o que escrevia relatava meus pensamentos, ou se era o que eu queria viver, ou se eu havia vivido.
Gostava de lembrar dos acordes da guitarra, e me embriagar com pensamentos nebulosos.
De certa forma era um amor meio mazoquista. Não sabia o porque, mas tudo que me fazia lembrar, mesmo que sofrendo, me enchia de uma sensação estranha da qual eu gostava.
Seria meu motivo de recordar, de não esquecer nunca, se eu esquecesse, as palavras sairiam da minha cabeça.
Gostava do seu jeito de me abraçar e me dar um oi repentino com aquela apertadinha na cintura, e se esconder de todo mundo rindo com o cigarro na mão, andando pelas ruas da cidade gélida.
Casinhas coloridas com paredes rabiscadas de desenhos alternativos.
Gostava da jaqueta com detalhes no ombro, do nike branco com detalhes vermelhos, da barba por fazer, dos olhos castanhos, e do sorriso, acompanhado das mãos suaves passando entre os fios do meu cabelo. Guardei cada momento, sem razão nenhuma, apenas guardei.Eu sabia o que passava em sua cabeça, eu gostava daquela sensação de poder , da sensação de ser o centro, linda, como ele me chamava, sempre falava para todos, ela é linda.
E ele foi, a barba eu já não sentia mais, já não sentia o cheiro, nem o gelado da jaqueta de couro encostando meu rosto quando eu abraçava. Como se eu não mais existisse, um sopro, veio, e foi, simplesmente deixou de ser razão.
Modelo: Leonardo Tomaz
01 fevereiro 2010
I think we should go
Viva a decadência das palavras e dos pensamentos!
Acordando todos os dias com aquela sensação claustrofóbica e os sonhos que nos fazem desejar retornar no mesmo momento em que acordamos.
Mais uma tarde.
Pegando o ônibus na rua de baixo eu via todos os dias as mesmas caixas pessoais espalhadas por toda a rua, e dentro de uma delas sempre guardava ele esperando uma forma de me fazer chorar de novo. Mas não de novo, não dessa vez, qualquer coisa que me atormentasse hoje seria por fim um misto de fogo e metralha no qual eu pisaria em cima.
O fone no ouvido e no volume ultrapassando o médio, quase chegando ao máximo, alienando minha mente de tudo que passava pela rua. Minha própria trilha sonora. Sem carros, buzinas, ou os mesmos hipócritas de sempre.
Rotina dramática, presos, todos eles, sempre, mesmo que escondido.
Quem inventou essa dor e esse óbito emocional ?
Já não quero nem pensar na voz e no cheiro do gosto de Moretti.
Passo uma linha final , emendo as palavras paradeixardeentender o que escrevo, o que digo, o que faço.
I wish I could live free | Eu desejaria poder viver livre |
| hope it's not beyond me | Espero que isso não esteja além de mim |
| settling down takes time | Me acomodando no tempo |
| one day we'll live together | um dia nós viveremos junto |
| and life will be better | e a vida será melhor |
| I have it here, yeah, in my mind | Eu tenho isto aqui yeah em minha mente |
O tempo todo tocando, imagens distorcidas já se formavam em minha mente. Tudo em câmera lenta ao meu redor. Ainda ouço o sussurro, e quase posso tocar. Não quero mais pensar, o sinal abriu, fechei os olhos. I think we should go!
29 dezembro 2009
Bucolicamente sonhando
O vento que tocava em meu rosto me fez acordar, a luz entrava pela janela, como se me desse uma nova chance de começar. Havia acordado bôemia demais para isso, levantei e fui até a cozinha. O cheiro do café deixado em cima da mesa na noite passada misturava meu estômago e revirava meus pensamentos, não gostava daquele sentimento.
Abri a porta de trás avistando o enorme bosque nos fundos de casa e o cheiro de orvalho fresco. A manhã estava fria, uma neblina suave formava arcoíris ao refletir o sol, nada me faria sair dalí.
Embora tudo que acontecerá naquele momento me desse motivos para sorrir e levantar cheia de alegria, mas , nada me faria apagar o que havia passado.
O conhaque na garrafa envelhecida que guardava há anos já estava pela metade quando me sentei na espreguiçadeira de madeira na varanda. Podia sentir o vazio no meu estômago e o calor daquele conhaque escorrendo por meu interior.
Fechei os olhos e ouvi fixamente a musica que tocava, Blue Ridge Mountains - fleet foxes. Um trago profundo naquele cigarro e uma lágrima.
Sem motivos, abriu a porta de casa e se foi, por quê?
Abri a porta de trás avistando o enorme bosque nos fundos de casa e o cheiro de orvalho fresco. A manhã estava fria, uma neblina suave formava arcoíris ao refletir o sol, nada me faria sair dalí.
Embora tudo que acontecerá naquele momento me desse motivos para sorrir e levantar cheia de alegria, mas , nada me faria apagar o que havia passado.
O conhaque na garrafa envelhecida que guardava há anos já estava pela metade quando me sentei na espreguiçadeira de madeira na varanda. Podia sentir o vazio no meu estômago e o calor daquele conhaque escorrendo por meu interior.
Fechei os olhos e ouvi fixamente a musica que tocava, Blue Ridge Mountains - fleet foxes. Um trago profundo naquele cigarro e uma lágrima.
Sem motivos, abriu a porta de casa e se foi, por quê?
A discussão rotineira e os velhos hábitos nem me incomodavam mais. Eu podia ser o que quisesse naquela manhã, mas continuava sendo eu mesma, sentada na velha cadeira de madeira, um copo redondo e fundo de um alcoólico e a névoa de cigarro escondendo meu rosto, mais uma vez, como todos os dias.
Nem percebi quanto tempo fiquei alí. Levantei, fui até a cozinha .
Já era quase meio dia e eu ainda estava alí, em pé diante da pia cortando algo qualquer numa tábua desbotada, adorava a simplicidade daquele lugar.
Voltei a varanda dos fundos e olhava fixamente as gotas de chuva fina, sem qualquer pensamento fechei os olhos e quase cochilei, foi quando ouvi o ranger da porta de entrada. Corri até a sala e vi alí, parado em frente a porta, molhado da chuva, com suas calças largas e a jaqueta de couro que usava no dia que o conhecera, eu com minhas calças de pijama e o copo na mão não me importei com mais nada, abracei-o com tanta força que quase prendi sua respiração.
Mil pensamentos e nenhuma palavra, a cadeira da varanda agora pequena, e os braços dele envolvidos em minha cintura. As gotas de chuva mais fortes e o cheiro de madeira molhada. Era quase uma cena de filme. Uma lágrima correu em meu rosto mais uma vez.Não precisava de mais nada, um gole acompanhado no resto do conhaque na garrafa, um leve sussurro no meu ouvido. Fechei os olhos. Acordei.
12 dezembro 2009
Inconstância
Ele entrou, eu parei
ele olhou, eu sorri
eu gelei, ele não
conversamos, olhamos,
parado no corredor.
Amy Winehouse.
Amy Winehouse.
Três voltas, parede de vidro,
Inconstante batimentos.
Vai vem, vai e fica, vem , vai embora.
Olhei de novo, tentei falar,
não consegui, respirei,
acelerei,sem coragem.
Saiu, voltou,
foi embora, fiquei sem.
Putz!
11 dezembro 2009
Café e bohemia
Sinto o cheiro do café e ainda posso sentir o gosto daquela tarde. Saí andando pelas ruas que costumava ir para organizar meus pensamentos, sempre, câmera nas mãos visão lá longe, os pensamentos vagando e confundindo cada vez mais minha cabeça.
As palavras dele haviam sumido há dias, como se não se importasse mais com tudo que eu havia dito, e a música que sempre ouvia quando queria me lembrar dele, dessa vez me feria muito mais do que eu imaginaria um dia.
Sentei no café da galeria, imaginando que ele podia estar alí. Sentei de frente a porta, olhando fixamente, tentando imaginar como seria se ele entrasse alí. Ele não entraria. O café que mais amargo descia pelo nó que havia em minha garganta parecia afundar-me em lágrimas ainda mais. Tentei segurar e não me contive, senti um risco quente sobre meu rosto, e logo um pingo formado sobre a mesa. No café , músicas sessentistas formavam trilha misturada com aquela frase, a ultima que ele havia dito. Parecia que toda saudade que ele demonstrou na ultima vez que nos falamos havia sido mentiras, como sempre mentiras, não entendi o porque daquela demora, mais de uma semana sem falar com ele. Ainda sentiria o gosto amargo daquele café por muitos dias, não o café, o amargo gosto de estar sozinha mais uma vez.
As palavras dele haviam sumido há dias, como se não se importasse mais com tudo que eu havia dito, e a música que sempre ouvia quando queria me lembrar dele, dessa vez me feria muito mais do que eu imaginaria um dia.
Sentei no café da galeria, imaginando que ele podia estar alí. Sentei de frente a porta, olhando fixamente, tentando imaginar como seria se ele entrasse alí. Ele não entraria. O café que mais amargo descia pelo nó que havia em minha garganta parecia afundar-me em lágrimas ainda mais. Tentei segurar e não me contive, senti um risco quente sobre meu rosto, e logo um pingo formado sobre a mesa. No café , músicas sessentistas formavam trilha misturada com aquela frase, a ultima que ele havia dito. Parecia que toda saudade que ele demonstrou na ultima vez que nos falamos havia sido mentiras, como sempre mentiras, não entendi o porque daquela demora, mais de uma semana sem falar com ele. Ainda sentiria o gosto amargo daquele café por muitos dias, não o café, o amargo gosto de estar sozinha mais uma vez.
18 novembro 2009
Ela que tem sardas e ouve musicas estranhas,compra vestidos baratos e mesmo assim é a mais bem vestida,
ela que não é ruiva nem loira, nasceu castanha por obra do destino.
Tem olhos de gata ladra,
fala fino quando nervosa,
ela canta numa nota só.
Faz comida de gente descente, que não devora o nosso próximo,
tem um gato que parece gente, cobre os olhos com as patinhas pra dormir.
Ela gosta do mesmo que eu, e mesmo assim do oposto,
gosta de pinups e discos antigos.
Ela já andou de skate, já tomou porre,
já se curou de amores mal amados
já reaprendeu a amar,
já disse adeus para coisas passadas, e abriu os braços para o futuro.
Ela ri, chora, usa óculos escuros pra disfarçar.
Ela que deveria ser a matriz de todas as Sheilas,
ela que sabe ser feliz,
olha pro fim desse texto; com lagrimas nos olhos?
Não sei, mas vê no fundo do coração o sorriso dessa irmã feliz.
ela é minha irmã.
Eu amo vc.
Texto por Paola Tereio. todos os direitos reservados.
11 novembro 2009
Tem dias que nada vem a cabeça,
uma xícara de café, tiro as teias dos dedos,
digito algo que não tem sentido algum, penso,
olho pela janela, vejo as gotas de chuva, novamente, garoa.
O calor passou,
a roupa balança no varal e quase seca volta a umidecer.
Sento, olho novamente pela janela.
O sol voltou, a roupa volta a secar.
Ao som de algumas palavras francesas,
um misto de instrumentos não reconheciveis,
viajo na sala, rodopio de olhos fechados
ergo os braços como se fosse me deixar carregar pelo som.
Nostalgia.
12 outubro 2009
Voltado com os olhos fixos naquela paisagem de inicio de noite, fria noite. Tão feliz tinha sido aquele dia, os olhos dela não estavam mais fixos no dele, mas ele ainda sentia como se estivesse sendo observado.
Seu coração estava tão aquecido que nem sentia o vento gelado que lhe cortava o rosto, deixando suas bochechas claras, com um tom rosado.
Seus olhos azuis e seus cabelos pretos eram tudo que precisava para conquistar quem ele quisesse, menos ela, e ele não entendia o porque.
Volta e meia procurava encontra-la em meio aquela multidão lá em baixo em meio aos carros. Era difícil enxergar com aquela neblina na altura do 15º andar.
Havia se mudado há tão pouco tempo que confundia os dias em que podia olhar para o andar de baixo e ver aquele sorriso doce e os cabelos encaracolados esvoaçantes dela.
Gostava de sentir aquele perfume com cheiro de bala que subia sempre com o vento.
Saudades ele sentia. Naquela tarde havia encontrado ela, sorrindo como sempre. Ficou olhando a roda de amigos que a cercava, sorrindo com movimentos leves em sua cabeça como se seu charme não fosse suficiente para prender a atenção de todos naquele bar. Não havia como não notar sua presença, desejar seu cheiro, e tocar na sua pele branca e luminosa. Ele não tinha ela nos braços, ainda, mas os olhos haviam se cruzado no momento em que a banda começara a tocar. Fixos um no outro, como se o tempo parasse e tudo ao redor estivesse andando devagar. Foi como se sentisse toca-la, como se estivesse ao seu lado.
A tarde havia chegado ao fim, voltando para casa pensava em quanto tempo havia ficado olhando para ela no andar debaixo, e que naquele dia ela finalmente o viu também.
Olhando ainda para fora, com milhares de pensamentos que se confundiam as luzes dos predios ao redor do seu, sentiu aquele frio que vinha de dentro e tomava-lhe o corpo, sentiu um perfume doce, conhecido, e um sorriso que lhe acompanhava os desejos mais secretos, exitou em acreditar. Intrigado com aquele som tão familiar desceu o mais rapido possivel a área da piscina do seu novo prédio. Uma roda de amigos conhecidos, e alguns estranhos por alí também, o violão tocava notas marcantes e percebeu que eram os mesmos que haviam estado naquela tarde no bar. Logo passou por sua mente que alguém entre eles deveria morar alí, se aproximou devagar como se procurasse reconhecer algum rosto. Alguns apertos de mão e palavras de encontro quando um silêncio profundo novamente acompanhado daquele frio na barriga o pegou de surpresa. Ela, com seu sorriso unico e seus cabelos castanhos encaracolados alí, mas como era possivel? Apenas isso passava em sua cabeça naquele momento, era o inicio de uma noite única.
(continua)
Seu coração estava tão aquecido que nem sentia o vento gelado que lhe cortava o rosto, deixando suas bochechas claras, com um tom rosado.
Seus olhos azuis e seus cabelos pretos eram tudo que precisava para conquistar quem ele quisesse, menos ela, e ele não entendia o porque.
Volta e meia procurava encontra-la em meio aquela multidão lá em baixo em meio aos carros. Era difícil enxergar com aquela neblina na altura do 15º andar.
Havia se mudado há tão pouco tempo que confundia os dias em que podia olhar para o andar de baixo e ver aquele sorriso doce e os cabelos encaracolados esvoaçantes dela.
Gostava de sentir aquele perfume com cheiro de bala que subia sempre com o vento.
Saudades ele sentia. Naquela tarde havia encontrado ela, sorrindo como sempre. Ficou olhando a roda de amigos que a cercava, sorrindo com movimentos leves em sua cabeça como se seu charme não fosse suficiente para prender a atenção de todos naquele bar. Não havia como não notar sua presença, desejar seu cheiro, e tocar na sua pele branca e luminosa. Ele não tinha ela nos braços, ainda, mas os olhos haviam se cruzado no momento em que a banda começara a tocar. Fixos um no outro, como se o tempo parasse e tudo ao redor estivesse andando devagar. Foi como se sentisse toca-la, como se estivesse ao seu lado.
A tarde havia chegado ao fim, voltando para casa pensava em quanto tempo havia ficado olhando para ela no andar debaixo, e que naquele dia ela finalmente o viu também.
Olhando ainda para fora, com milhares de pensamentos que se confundiam as luzes dos predios ao redor do seu, sentiu aquele frio que vinha de dentro e tomava-lhe o corpo, sentiu um perfume doce, conhecido, e um sorriso que lhe acompanhava os desejos mais secretos, exitou em acreditar. Intrigado com aquele som tão familiar desceu o mais rapido possivel a área da piscina do seu novo prédio. Uma roda de amigos conhecidos, e alguns estranhos por alí também, o violão tocava notas marcantes e percebeu que eram os mesmos que haviam estado naquela tarde no bar. Logo passou por sua mente que alguém entre eles deveria morar alí, se aproximou devagar como se procurasse reconhecer algum rosto. Alguns apertos de mão e palavras de encontro quando um silêncio profundo novamente acompanhado daquele frio na barriga o pegou de surpresa. Ela, com seu sorriso unico e seus cabelos castanhos encaracolados alí, mas como era possivel? Apenas isso passava em sua cabeça naquele momento, era o inicio de uma noite única.
(continua)
18 setembro 2009
foto: Beirut- clipe Elephant Gun
Todos esquecem de festejar,de abrir os olhos e perceber as luzes ao redor.
Menos eu.
Gotas de chuva espalhadas pelo chão, uma viagem longa para estar lá.
Fechar os olhos, papel picado e vozes que se misturam ao que canta no palco.
Distante de tudo e do mundo, quase uma fantasia.
As luzes direcionadas a grande estrela no palco.
Tão longe e ainda posso ouvir as vozes.
Suspiro fundo e corro em volta da sala com o volume no último na intenção de representar a cena.
Jogo-me no chão balanço meus cabelos com o ritmo constante da musica bucólica.
Mil pensamentos ao mesmo tempo,
Uma batida na porta me faz voltar ao mundo real.
Uma batida na porta me faz voltar ao mundo real.
09 setembro 2009
Eu gosto de fotografia,
eu gosto de cinema,
eu gosto de musica,
eu gosto de sol, gosto de dias com
gosto de chuva,
eu gosto de Lana,
eu gosto de Felipe,
eu gosto de João,
gosto de feijão também.
Gosto de chuva,
eu gosto de acordar, eu gosto de dormir, eu gosto do
gosto do mar
e do Rio também.
Eu gosto de estradas,
gosto de chocolate e terra
eu gosto de gostar dele
gosto tanto que nem cabe em mim.
Eu gosto de gostar,
mas não gostar tanto de mim, seria fundamental para gostar ainda mais dele.
Eu gosto,
gosto de brincadeira,gosto de infância,
gosto do chopp gelado do pub,
gosto, gosto, gosto,
gosto tanto mas não sei o gosto,
do gosto de mim.
04 setembro 2009
Andava a tarde, lembrava das cores, guardava cada uma delas , o cheiro, os movimentos, lembranças de uma vida toda.
Olho agora ao meu redor e tento sentir os mesmos desejos e emoções da época que estava alí.
Fecho meus olhos e lembro-me daquele dia sentados a beira mar, do vento balançando os cachos dos meus cabelos e a suavidade do toque e do tom da voz dele em seus labios, beijando-me docemente.
Tantos anos se passaram, tantos meses longe dalí. Gosto de onde estou, fins de semana regados de risos e boas companias.
Sentada agora, um copo de vinho tinto derramado sobre a mesa num suspiro repentino e aquele arrepio que as vezes dá.
Gosto de lembrar, gosto de como eu sou agora, gostava de como eu era antes. Amigos de tantos anos, posso me lembrar disso tudo.
O amargo sentimento de estar sozinha se embaraça aos sorrisos que escuto ao meu redor.
Aquelas calçadas centenárias e tantos marcos da nova cidade, nenhum detalhe passa sem uma simples comparção daquela velha cidade.
Músicos ainda me cercam, tento entender a diferença daqui e de lá. Tento imaginar como seria se tivesse continuado alí. Pessoas novas e histórias recentes formavam uma nova vida e um novo começo.
Gosto de como sou agora. Gostaria de ser como era antes. Quero continuar sendo o que fui e o que sou, uma mente repleta de idéias escritas casualmente.
Olho agora ao meu redor e tento sentir os mesmos desejos e emoções da época que estava alí.
Fecho meus olhos e lembro-me daquele dia sentados a beira mar, do vento balançando os cachos dos meus cabelos e a suavidade do toque e do tom da voz dele em seus labios, beijando-me docemente.
Tantos anos se passaram, tantos meses longe dalí. Gosto de onde estou, fins de semana regados de risos e boas companias.
Sentada agora, um copo de vinho tinto derramado sobre a mesa num suspiro repentino e aquele arrepio que as vezes dá.
Gosto de lembrar, gosto de como eu sou agora, gostava de como eu era antes. Amigos de tantos anos, posso me lembrar disso tudo.
O amargo sentimento de estar sozinha se embaraça aos sorrisos que escuto ao meu redor.
Aquelas calçadas centenárias e tantos marcos da nova cidade, nenhum detalhe passa sem uma simples comparção daquela velha cidade.
Músicos ainda me cercam, tento entender a diferença daqui e de lá. Tento imaginar como seria se tivesse continuado alí. Pessoas novas e histórias recentes formavam uma nova vida e um novo começo.
Gosto de como sou agora. Gostaria de ser como era antes. Quero continuar sendo o que fui e o que sou, uma mente repleta de idéias escritas casualmente.
01 setembro 2009
Dessa vez me apaixonei. Me cerquei de alegria e pude perceber a importância dele pra mim, ao perder ela, ao salvar ele, tão pequeno em meio a chuva. Ninguém sabe a importância que ele tem pra mim, somos eu e ele, um, filho e mãe, não sou dona, sou amiga, inseparáveis, criados um para o outro.
Amor de mãe, de amiga, que cuida, e do que obedece.
Ninguém pode imaginar como um animal pode trazer felicidade para nossas vidas. Jamais compro um animal, amigo nao se compra, se adota, se conquista.
Eu conquistei o meu. Ele me conquistou.
Parabéns para mim hoje!
08 agosto 2009
Em meio a sons alternativos, cercada de jovens e do leve cheiro da madeira manualmente trabalhada, o contraste de nuvens no céu azul. Por volta das 15 horas de domingo, ouvi notas espalhadas em ritmo constante, conhecida, marcada por outro momento em outra praça qualquer, me deparei novamente aquele senhor que um dia sorriu pra mim.Me ajoelhei alí mesmo nas ruas antigas do Largo, ouvindo aquela melodia como se parte da minha história voltasse e me fizesse sorrir outra vez.. sorri, como criança, feliz por ver aquele rosto que ja não me era mais estranho. Não me lembro quanto tempo fiquei alí, câmera na mão a espera de uma brecha entre a multidão para que apenas ele ficasse em foco.
Ele me viu, mais uma vez. Embora não reconhecesse meu rosto, olhava com a mesma serenidade e sabedoria, sem dizer sequer uma palavra, sem deixar de movimentar incansavelmente seu acordeon. Olhei alí mais uma vez, sem saber quando o veria novamente. Continuei caminhando, sorrindo, com o coração leve e olhos fixos nas imagens que havia registrado, grande cena, imedivel sentimento de felicidade.
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