Andando pelas ruas de chão de pedra, tropecei algumas vezes enquanto me distraia
com a neve caindo sobre o rosto.
Já distraída com a música mais uma vez, via os ônibus passarem e os táxis
misturados em meio a filas imensas de carros.
Paris, como sempre quis.
Andando por alí e pensando nas decisões e nas inconstâncias dos dias que seguiam
frios e nebulosos. Não era depressivo, era bom.
Todos os dias saía do hotel , um prédio antigo com toldos vermelhos e cortinas
brancas destacando os ferros rusticos das sacadas de estilo europeu. O cheiro da neve e a
sensação de déjà vu todas as manhãs.
Sempre que andava na parte de trás do jardim conseguia ver escavações cuidadosas
e objetos centenários em meio a neve.
O cheiro da neve era bom, não era gelado, era doce, um misto de ar gelido e doce,
com notas terracota e capim fresco. O café servido no delicioso restaurante na cobertura,
com janelas silenciosas e uma vista incrível para a cidade,
conversas dispersas enquanto estava alí, concentrada no café,
nos pãezinhos servidos com um patê com um sabor queijo delicioso.
Andei pelas ruas ainda de manhã, passei por lugares incriveis e vi pintores na calçada
desenhando crianças que brincavam com pombos na praça, ouvi badalar de sinos,
e nem percebi o tempo passar. A noite chegava silenciosamente, quase imperceptivel,
só era possivel nota-la pela queda de temperatura gradativa que me deixava com
o nariz vermelho e gelado.
As luzes se fechavam misturadas as estrelas, eu com minhas botas vermelhas e minha câmera nas mãos, registrando cada momento.
Lembro perfeitamente do cheiro, da cor, do som, Paris é tão linda quanto dizem, talvez até mais linda do que nos filmes que a eternizaram como cidade luz.
Eu estava alí, sozinha, com meus pensamentos, meus projetos, estava comigo, apenas eu e eu.
A solidão não me incomodava, eu gostava de estar alí e falar apenas com meus pensamentos, perfeito,
teria sido perfeito se tudo não tivesse sido um sonho bem detalhado e gravado em minha mente,
em mim.
Talvez a paixão por Paris seja algo que não dê para se compartilhar com ninguém, apenas comigo.
Você acreditou que fui a Paris? Eu também, e foi incrível.

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