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11 dezembro 2009

Café e bohemia

Sinto o cheiro do café e ainda posso sentir o gosto daquela tarde. Saí andando pelas ruas que costumava ir para organizar meus pensamentos, sempre, câmera nas mãos visão lá longe, os pensamentos vagando e confundindo cada vez mais minha cabeça.
As palavras dele haviam sumido há dias, como se não se importasse mais com tudo que eu havia dito, e a música que sempre ouvia quando queria me lembrar dele, dessa vez me feria muito mais do que eu imaginaria um dia.
Sentei no café da galeria, imaginando que ele podia estar alí. Sentei de frente a porta, olhando fixamente, tentando imaginar como seria se ele entrasse alí. Ele não entraria. O café que mais amargo descia pelo nó que havia em minha garganta parecia afundar-me em lágrimas ainda mais. Tentei segurar e não me contive, senti um risco quente sobre meu rosto, e logo um pingo formado sobre a mesa. No café , músicas sessentistas formavam trilha misturada com aquela frase, a ultima que ele havia dito. Parecia que toda saudade que ele demonstrou na ultima vez que nos falamos havia sido mentiras, como sempre mentiras, não entendi o porque daquela demora, mais de uma semana sem falar com ele. Ainda sentiria o gosto amargo daquele café por muitos dias, não o café, o amargo gosto de estar sozinha mais uma vez.

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