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22 dezembro 2008

20 poucos anos


E quem disse que rugas são sinônimo de falta de criatividade? Olhando esse senhor numa tarde na praça rodeada de barraquinhas de guloseimas percebe-se a vitalidade e a experiência de vida.
Rugas nas mãos que sustenta seu instrumento. Não dá pra saber se por motivos de glória ou necessidade, ele apenas toca, toca com a alma, toca com a vida, toca com os olhos de quem sabe mais do que os jovens que o cercam.
Passa tardes inteiras alí, quem anda pela praça já o conhece, teria glória maior para seus talvez oitenta e tantos anos, do que alegrar tardes ensolaradas e prolongar ainda mais a sua vida ao ver os sorrisos que proclamam felicidade ao olhá-lo?
Quantas mochilas o rodeiam, como consegue carregar? Não dá pra entender, ninguém sabe se alguém o ajuda ou se possui força suficiente para carregá-las só.
Tanta vida, um poema, história, música e boêmia. Quem sabe quantos anos mais ele estará ali? Sem afirmar, sem saber, eternizado numa fotografia, olhando timido para aquela que passou horas o observando. Uma jovem, de 20 e poucos anos, calçada de atrevimento e curiosidade, com o coração derramado por ver tanta juventude em tantos anos de vida, solto, risonho, despediu-se daquela menina, o único sorriso, o que nenhuma câmera capturou, o que talvez ninguém jamais verá.

Um comentário:

Gabriela Alcântara disse...

ler esse texto ouvindo Nantes foi algo belíssimo. Me imaginei nessa praça, passando um belo dia ensolarado, acompanhada por amigos e pelo senhor (: ah, como queria experimentar isso!!! Muito lindo o texto, parabéns!