Voltado com os olhos fixos naquela paisagem de inicio de noite, fria noite. Tão feliz tinha sido aquele dia, os olhos dela não estavam mais fixos no dele, mas ele ainda sentia como se estivesse sendo observado.
Seu coração estava tão aquecido que nem sentia o vento gelado que lhe cortava o rosto, deixando suas bochechas claras, com um tom rosado.
Seus olhos azuis e seus cabelos pretos eram tudo que precisava para conquistar quem ele quisesse, menos ela, e ele não entendia o porque.
Volta e meia procurava encontra-la em meio aquela multidão lá em baixo em meio aos carros. Era difícil enxergar com aquela neblina na altura do 15º andar.
Havia se mudado há tão pouco tempo que confundia os dias em que podia olhar para o andar de baixo e ver aquele sorriso doce e os cabelos encaracolados esvoaçantes dela.
Gostava de sentir aquele perfume com cheiro de bala que subia sempre com o vento.
Saudades ele sentia. Naquela tarde havia encontrado ela, sorrindo como sempre. Ficou olhando a roda de amigos que a cercava, sorrindo com movimentos leves em sua cabeça como se seu charme não fosse suficiente para prender a atenção de todos naquele bar. Não havia como não notar sua presença, desejar seu cheiro, e tocar na sua pele branca e luminosa. Ele não tinha ela nos braços, ainda, mas os olhos haviam se cruzado no momento em que a banda começara a tocar. Fixos um no outro, como se o tempo parasse e tudo ao redor estivesse andando devagar. Foi como se sentisse toca-la, como se estivesse ao seu lado.
A tarde havia chegado ao fim, voltando para casa pensava em quanto tempo havia ficado olhando para ela no andar debaixo, e que naquele dia ela finalmente o viu também.
Olhando ainda para fora, com milhares de pensamentos que se confundiam as luzes dos predios ao redor do seu, sentiu aquele frio que vinha de dentro e tomava-lhe o corpo, sentiu um perfume doce, conhecido, e um sorriso que lhe acompanhava os desejos mais secretos, exitou em acreditar. Intrigado com aquele som tão familiar desceu o mais rapido possivel a área da piscina do seu novo prédio. Uma roda de amigos conhecidos, e alguns estranhos por alí também, o violão tocava notas marcantes e percebeu que eram os mesmos que haviam estado naquela tarde no bar. Logo passou por sua mente que alguém entre eles deveria morar alí, se aproximou devagar como se procurasse reconhecer algum rosto. Alguns apertos de mão e palavras de encontro quando um silêncio profundo novamente acompanhado daquele frio na barriga o pegou de surpresa. Ela, com seu sorriso unico e seus cabelos castanhos encaracolados alí, mas como era possivel? Apenas isso passava em sua cabeça naquele momento, era o inicio de uma noite única.
(continua)

Um comentário:
Fiquei super feliz em ler a resposta do último comentário. Muito mesmo!
Estarei sempre por aqui conferindo os textos e imagens, carregadas de sensibilidade! Faz bem! :)
Ahh, já estou curiosa para saber como continua esse post... Mas já fiquei com a sensação de que vem coisas boas por aí, com momentos especiais... Torcendo que sejam!
Vi teu recado no orkut, mas ele continua ingrato e dizendo que eu te mando spam! rs
Beijãoo.
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