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13 janeiro 2009

Uma ultima nota.


...ele lembrava ali, naquela mesa do primeiro andar, em meio a paredes repleta de quadros e discos, lembrava do inicio daquilo tudo.
Quantas vezes ouvira dizer que não daria certo, pra abandonar aquilo, mas ele tinha certeza do que queria, daquilo que estava dentro dele.
Lembrava sempre da primeira vez que pegou sua guitarra, aquela de plástico com cordas que tocam uma única nota, era tão pequeno.Seu pai jamais teria imaginado que aquela brincadeira agora daria tão certo.
O copo estava quase vazio quando ouviu o último acorde da banda que antecedia a sua. Quantas influências o tinham levado até ali, roubava do pai os discos do grande Johnny quando adolescente, trancava-se ali no quarto com seu bloquinho de anotações, não tinha ao menos uma partitura, uma referência de nota, nada. Apenas o dom e o desejo..

Tomou o último gole, levantou-se e foi cumprir aquilo que só ele sabia como fazer.
Não havia grandes famosos, apenas o seu público alvo, seu público fiel.
Afinou a guitarra, preparou seus pedais, e ao levantar os olhos e dar as primeiras notas avistou alí, no primeiro andar do bar, encostada nas grades de proteção com sua câmera nas mãos preparada para registrar cada passo que ele desse, já não a via por muitos meses, nem segurava mais em si a confiança de a ter mais uma vez. Quase engasgou ao ver ela ali, foi como se a noite apenas começasse, pra completar seu sonho, sua vida, faltava apenas ela, e agora estava ali, diante dele. Tocou com toda sua alma, sua vontade, seu conhecimento, tocou por todos aqueles anos de luta e dificuldades e brigas com o pai, tocava para ela.
Quando chegava ao fim da última música olhou novamente para aquele primeiro andar e não a viu mais, toda aquela alegria que tinha tomado conta de si sumira repentinamente, como a encontraria de novo em meio a tanta gente? Se ela tivesse permanecido alí. Mas agora não sabia mais o que fazer, o jeito era continuar a fazer sua música, sem ter esperanças de que teria ela de novo pra completar sua vida.
Terminou em meio a aplausos eufóricos, retirou-se dalí sem nem ouvi-los.
Mais uma vez sentado alí na mesa do primeiro andar, rodeado com seus amigos e companheiros de musica, tomava mais um gole daquela amarga bebida, que mais amarga parecia por não ter visto ela de novo. Ficou com o olhar profundo , distante, olhava para o nada, pelo menos assim parecia, ficou ali, vagando em meio a pensamentos, quando percebeu um flash forte em direção a seu rosto.
Piscou rapidamente varias vezes até conseguir focalizar aquilo que estava a sua frente.
Linda, sorrindo, com aquele jeitinho de menina moça e um ar de mulher foi em direção a ele e sem pensar beijou-o suavemente, um beijo doce que foi aos poucos intensificando-se e arrebatando dele um sorriso como a muito não se via. Levantou, e a abraçou com tanta força rodopiando em seus braços, sabia agora que ela nunca mais deixaria de ser sua.
Olhou a mesa onde estava e viu seus amigos sorrindo, agora sim estava completo, juntou-se mais uma vez a eles agora com a sua menina do lado. A noite que parecia não terminar feliz agora estava apenas começando, alí era a seu lugar, com sua menina, sua mulher, sua música, seus amigos, sua vida, o seu palco particular.

2 comentários:

Gabriela Alcântara disse...

esse texto me fez lembrar um amigo...ele só não teve um happy-ending, mas quem sabe um dia tenha ^^

Paola Vitoracci disse...

que bom que te fez lembrar alguem, e que pena que nao teve um "happy-ending" , mas como vc disse, qm sabe tera ;]